Durante este fim de semana todos os caminhos vão dar a Fátima. Passados dez anos sobre a última peregrinação nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE) ao Santuário de Fátima, perto de 30 mil escuteiros, de 500 agrupamentos de norte a sul do país, Madeira e Açores, aceitaram o desafio e participam nesta grande atividade.
Os participantes irão participar em atividades e celebrações que apelam não só a uma aprendizagem e enriquecimento individual, mas também um enriquecimento comunitário, enquanto escuteiros e cristãos, através de uma vivência comunitária.
A atividade começou com uma peregrinação de todos os escuteiros até ao santuário. Divididos em vários percursos, todos os participantes tinham um percurso para completar, de 4 a 8 km, organizados e enriquecidos com pontos de oração, reflexão, cânticos e aprendizagem histórica.
Os percursos foram preparados pela região de Leiria e visam possibilitar uma caminhada mais segura até ao santuário. Há percursos mais urbanos, como o percurso com início na Unidade de Cuidados Continuados Bento XVI e com o final no Santuário de Fátima, percorrido por 57 agrupamentos. Do percurso há a destacar a passagem por Valinhos e Aljustrel, local onde nasceram os três pastorinhos.
Para Sara Rebelo, pioneira do agrupamento 1004 Guilhofrei, da região de Braga, a participação na peregrinação é «muito importante, porque conseguimos refletir acerca do que é o escutismo e interiorizar aquilo que Maria quer para nós, ou seja, abraçarmos um desafio». Quanto a expectativas, esta pioneira diz que «não estou à espera que seja um ambiente de festa, mas sim de acolhimento e reflexão».
Outros percursos permitiam uma maior comunhão com a natureza, como aquele que iniciava no Pia do Urso, a aldeia eco-sensorial perto de Fátima, e que percorre estradas de terra batida pelo meio da floresta. Muitos foram os agrupamentos que aproveitaram as sombras para parar, refletir ou aproveitar para relembrar aos escuteiros mais novos a história dos três pastorinhos que receberam a visita da Senhora. «Foi numa árvore como esta ao pé de nós que Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos.
Eles estavam a levar os seus rebanhos a pastar, quando viram uma grande luz por cima da árvore, e a Senhora que lhes falou», explicava uma dirigente aos escuteiros que a escutavam com muita atenção.
A alegria foi uma constante em todos os caminhos, que terminavam na Capelinha das Aparições com um momento de oração individual, que marcava o fim da peregrinação. A magia da Capelinha fez então descer sobre todos uma calma que se traduzia num silêncio reflexivo. Todos, sem exceção, sentados, em pé ou encostados aos vidros da capelinha, permaneciam em silêncio enquanto faziam a sua oração. Ao saírem, sorriam e voltava a alegria contagiante do escuteiro.
Da parte da tarde, os escuteiros estarão a participar em várias atividades ligadas ao centenário das aparições e ao Ano da Misericórdia. À noite terá lugar a tradicional procissão das velas e amanhã D. Joaquim Mendes, membro da Comissão Episcopal Laicado e Família e bispo auxiliar de Lisboa, presidirá à eucaristia conclusiva desta peregrinação.
Texto de: Susana Micaela Santos, Cláudia Baptista Martins e Ricardo Perna. Fotografia de: Ricardo Perna.



