A Conversão de São Paulo – patrono dos caminheiros do CNE – foi assinalada, uma vez mais, com uma atividade especifica realizada para estes escuteiros dos 18 aos 22 anos, e na cidade de Coimbra. Quase 70 caminheiros, de várias proveniências da região, incluindo do Clã Universitário, estiveram em atividade desde a tarde de sábado, 25 de janeiro até à manhã de 26, domingo. Foi uma atividade intensa e dinâmica, como o nome ‘Fogo da IV’, promovida pela secretaria regional da ação escutista, com a organização do agrupamento CNE/347 São Jorge, da paróquia de São José – Coimbra.
O ‘Fogo da IV’ teve momentos de partilha, de debate, de celebração da Eucaristia – presidida pelo assistente regional, Padre João Fernando Dias –, mas o momento mais impactante da atividade terá sido a vivência de situações em que os escuteiros foram provocados a definir um posicionamento.
Ao longo de um percurso que os participantes tiveram de fazer em caminhada, foram interpelados por uma situação – diferente para cada um dos grupos em que foram divididos – que, de certa maneira, os obrigaria a escolher o lado da indiferença ou o lado da ação. Um dos grupos foi abordado por um cidadão que, estando na Porta Férrea, na alta da cidade, de cadeira de rodas, perguntou aos escuteiros como poderia chegar ao Largo da Portagem. Os escuteiros pura e simplesmente levaram a pessoa ao local.
Em outra situação, o grupo de caminheiros assistiu a uma situação em que uma mulher foi expulsa com agressividade de um automóvel que depois de circular em grande velocidade, travou de repente no meio da rua. Depois de alguma hesitação, não fosse a vitima sentir-se desconfortável ou os escuteiros se colocarem numa situação de perigo perante uma situação de violência numa relação abusiva, também a escolha da ação e da ajuda à vitima foi o caminho dos jovens.
Uma terceira situação, que talvez tenha sido a mais desconcertante, colocou os escuteiros perante um carrinho de bebé que estava abandonado num passeio de uma rua movimentada, aparentemente com uma criança. Foram muitas as dezenas de pessoas – entre as quais de forças policiais – que passaram pelo local. Apenas os escuteiros se preocuparam em certificar-se de que não estava lá nenhuma criança.
«Há, naturalmente, diferenças entre as várias gerações que vão construindo as nossas comunidades. Não têm as mesmas características nem os mesmos focos um jovem de 18 anos de hoje e um jovem com a mesma idade há 20 anos. Mesmo no escutismo, com um mesmo método e o mesmo conjunto de valores, esta diferença existe e é relevante», garante o Chefe Regional de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas. Que conclui «Com a edição de 2025 do ‘Fogo da IV’ fica demonstrado, que apesar de todas as diferenças, hoje como no passado, os escuteiros nunca escolhem o lado dos indiferentes. Nunca!».