Tânia Coutinho: «Gostava muito de abrir a Flor de Lis aos miúdos»

Escuteira desde os 17 anos, Tânia Coutinho é a primeira mulher a assumir o cargo de Diretora da Flor de Lis. Vamos conhecer a sua visão para a nossa revista?

Flor de Lis (FL): Conta-nos sobre o teu percurso escutista até agora.

Tânia Coutinho (TC): Entrei para os escuteiros com 17 anos, no meu 12.º ano, para o agrupamento que estava no final da minha rua, o 890 Évora. Nessa altura, o agrupamento já tinha seis ou sete anos de existência e sempre estive por ali, ou seja, era presença frequente nos sítios que eu mais frequentava. Estive nos Pioneiros, estive nos Caminheiros, e depois, como estava a estudar fora e muito longe, decidi sair e fazer a minha pausa. Quando terminei o curso e regressei a Évora, regressei ao agrupamento já para a equipa de animação, em 2003. Por isso, desde 2003 até agora, tenho estado sempre no Agr. 890 Évora, mesmo não estando já a viver em Évora. 

Pelo caminho, passei por diversos cargos regionais, em eletivos ou por nomeação. Estive na equipa da Secretaria Internacional e também na equipa do Desenvolvimento e Relações Externas. Entrei em 2015 para a Secretaria Internacional e depois fiz o outro mandato nas Relações Externas, que era uma equipa que estava dependente do Chefe Nacional Adjunto na altura. E fui Chefe de Contingente do CNE no Moot 2017 na Islândia. Fui mantendo presença regional e no agrupamento estes anos todos, conciliando ao mesmo tempo com outros projetos a nível nacional.

FL: Lançámos o teu primeiro número da Flor de Lis enquanto Diretora em novembro de 2023. Que nova visão tens trazido para a nossa revista?

TC: Não pretendo alterar a revista completamente. Não pretendo fazer uma inovação gigantesca. Acho que a revista tem sofrido muitas alterações e tem-se desenvolvido nos últimos anos, mas acho que nos falta o essencial, que é abrir para os miúdos, é tornarmo-nos numa revista acessível aos miúdos. Apesar de que, com a Flor de Lis online, já se consegue mais facilmente atingir outro tipo de público, temos sempre de ter em enfoque, quando produzimos conteúdos para a revista, que ela é consumida por Dirigentes, ou seja, por adultos. Isso faz com que os conteúdos sejam, não quero dizer mais sérios, mas mais institucionais, com uma profundidade também diferente e com assuntos que vão ao encontro daquilo que um adulto precisa enquanto animador do CNE.

Gostava muito de abrir a revista aos miúdos porque acho que essa deveria ser a visão que a revista devia ter. Quanto maior for o número de miúdos que tiver acesso à revista, mais facilmente nós podemos produzir conteúdos que vão ao encontro deles e às necessidades deles. Isso é o que eu sinto que devemos fazer enquanto associação, sabendo também das limitações que temos para a produção da revista mensalmente.

É uma revista que faz 100 anos, que existe ininterruptamente há 100 anos, ou seja, nunca houve uma pausa, nunca houve um cessar da licença, nunca houve nada. E isso traz uma importância acrescida, porque é um meio de comunicação que é de uma associação mas que está ao alcance de qualquer um que está no online.

Outra das coisas que eu gostava muito e que não conseguimos facilmente é a distinção de conteúdos entre o online e a revista. Tentamos às vezes separar, mas sabemos que também não é possível por falta de recursos, sobretudo humanos. A abertura aos miúdos faria com que conseguíssemos também ter conteúdos diferenciados para eles. Ou seja, talvez mais vídeos, outra maneira de comunicar com eles e outras formas que lhes fossem mais apelativas. Porque quer a gente queira, quer não, o miúdo não se senta e pega numa revista se não souber que aquela revista tem alguma coisa que é relevante para ele.

Agora, é devagarinho que vamos tentando lá chegar. Vamos fazer pequenas ações para conseguirmos fazer com que isto aconteça. Se vamos conseguir mudar o mundo de um dia para o outro? Não. Não vamos conseguir mudar o mundo de um dia para o outro, mas vamos lentamente fazer algumas pequenas mudanças para conseguir chegar até aos miúdos.

FL: E como é que vês o futuro da Flor de Lis?

TC: Eu gostava muito que fosse uma revista que começasse no papel e depois saísse para o online, por exemplo. Que estivesse sempre, sempre, sempre interligada. Para já, gostava muito que continuasse a ser num órgão de comunicação social, uma revista. Ou seja, que não parasse sobre que forma fosse, mas continuasse sempre.

Já temos 100 anos, e se calhar foram os 100 anos mais difíceis, porque se compararmos com como as revistas eram feitas antigamente – e temos esses registos no arquivo – e como as revistas são feitas agora, é completamente diferente e torna-se um processo mais simples. Não estou a dizer que é diferente, é mais simples o processo. Mas é também muito enriquecedor também fazer parte da revista. Gostava que mais associados, quer adultos, quer jovens, quer crianças, pudessem colaborar e quisessem colaborar com a revista, sobre que forma fosse. Gostava de cada vez mais diversificar aquilo que produzimos e como produzimos. Continuar ininterruptamente – se for para os próximos 100 anos era fixe, mas duvido (risos). E abrir as colaborações cada vez mais, para que cada um sinta que tem uma palavra também, que pode dizer uma palavra na nossa revista.

Entrevista: Catarina Valada.

Fotos: cedidas por Tânia Coutinho.

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