Decorreu ontem, no Seminário Nossa Senhora de Fátima, a apresentação pública do quarto relatório de atividade, do Grupo VITA, que abrange o período entre janeiro e dezembro de 2025. Este relatório descreve de forma detalhada todo o trabalho desenvolvido, o apoio dado às vítimas e sobreviventes, assim como, todo o trabalho e projetos desenvolvidos na área da capacitação, prevenção e investigação.
Durante o ano de 2025, o Grupo VITA consolidou e aprofundou os diversos eixos de intervenção, ampliando o alcance das suas iniciativas e reforçando o impacto social. De acordo com o relatório “Foram desenvolvidos novos recursos preventivos, adaptados às necessidades emergentes, e alargada a colaboração com um número crescente de entidades (nacionais e internacionais).
O projeto Sobre.VIVER, inspirado nos princípios da justiça restaurativa, e que visa promover a escuta ativa e a reparação simbólica, envolvendo as vítimas e sobreviventes de forma significativa na definição de políticas e estratégias de prevenção e o Projeto Igreja + Segura, uma iniciativa que visa criar ambientes de confiança e proteção nas instituições da Igreja Católica em Portugal, através de compromissos de prevenção, escuta e transparência, culminando num sistema de auditoria e certificação, alinhado com as orientações internacionais nesta matéria, foram dois dos projetos em destaque na apresentação do relatório.
A coordenadora do grupo, Rute Agulhas, salientou que os abusos “não são coisa do passado” e que há registos recentes, de 2023, ocorridos já depois de o tema estar na agenda pública. Reforçou ainda que “Persistem assimetrias de poder, perceções distorcidas sobre a figura sacerdotal e resistências culturais que dificultam a denúncia e a proteção efetiva de crianças, adultos vulneráveis e sobreviventes”, como também pode ler-se no relatório.
Rute Agulhas, referiu que “tem havido uma colaboração total” por parte dos bispos católicos, mas admitiu que “há algumas metas que falta alcançar”. “Estamos a falar de mudanças estruturais e que, muitas delas, requerem tempo”, acrescentou.
Recordamos que o Grupo VITA foi criado pela Conferência Episcopal Portuguesa em abril de 2023, na altura indicado como temporário, durante um período de três anos. Após dois anos e meio de trabalho a sua coordenadora afirmou ontem que a continuidade da estrutura pertence exclusivamente à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e à Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), contudo, demonstrou disponibilidade para dar seguimento ao projeto.
O CNE tem colaborado ativamente com o Grupo VITA, desde a sua criação em 2023. Esta parceria manifesta-se quer no que respeita à sinergia nos procedimentos adotados, como ao nível da formação, sobretudo de capacitação de formadores do CNE. Este trabalho conjunto tem como grande objetivo garantir que o escutismo se desenvolva em ambientes seguros e protegidos, capacitando as crianças a pedir ajuda e a educando os adultos para a prevenção.
O relatório está disponível em https://grupovita.pt/quem-somos