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O Corpo Nacional de Escutas celebra hoje mais um aniversário, assinalando 103 anos de história ao serviço da educação de crianças e jovens em Portugal e da construção de uma sociedade mais humana, solidária e responsável.
Fundado em Braga, a 27 de maio de 1923, por iniciativa de D. Manuel Vieira de Matos e do Dr. Avelino Gonçalves, o Escutismo Católico Português assumiu desde cedo a missão de formar jovens através do serviço, da vida em comunidade, do contacto com a natureza e da vivência da fé.
Inicialmente denominado Corpo de Scouts Católicos Portugueses, o movimento começou rapidamente a crescer. Apenas dois anos depois, em 1925, passou a designar-se Corpo Nacional de Scouts e, mais tarde, em 1937, adotou o nome atual: Corpo Nacional de Escutas.
Ao longo das primeiras décadas, o CNE expandiu-se rapidamente por todo o país, consolidando-se como um dos maiores movimentos juvenis portugueses. Em 1925, surgiu a “Flor de Lis”, publicação que se tornou um importante elo entre agrupamentos e dirigentes. A década de 1930 ficou marcada pela visita de Robert Baden-Powell a Lisboa.
Apesar das dificuldades vividas em 1936, período particularmente delicado para o escutismo nacional, o CNE conseguiu manter-se ativo graças ao empenho e dedicação dos seus dirigentes e associados. Nas décadas seguintes, a associação reforçou a formação de dirigentes, organizou grandes acampamentos nacionais e criou estruturas permanentes de formação, como o Campo-Escola de Fraião, inaugurado em 1963.
Após a Revolução de Abril de 1974, o CNE modernizou os seus estatutos e reforçou a participação democrática interna. Em 1976, a admissão de jovens do sexo feminino em todas as secções marcou um passo importante para a coeducação no movimento.
Já em 1982, juntamente com a Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP), o CNE participou na criação da Federação Escutista de Portugal (FEP), entidade representativa do escutismo português junto da Organização Mundial do Movimento Escutista. Em 1983, o CNE foi reconhecido pelo Governo como uma instituição de Utilidade Pública.
Ao longo das décadas seguintes, o CNE atravessou diferentes momentos da história do país, adaptando-se às mudanças sociais, culturais e educativas, sem perder os princípios fundamentais do Escutismo.
Atualmente, a primeira associação juvenil portuguesa reconhecida oficialmente pelo Estado Português conta com cerca de 70 mil associados e mais de mil agrupamentos distribuídos por todo o território nacional e regiões autónomas, num contributo vincado como uma escola de valores que forma gerações.
Texto: Rodrigo Maurício
Fotografias: CNE

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