Azul no Horizonte: Pioneiros do 283 chegaram ao topo de Portugal

A Comunidade de S. Roque, do Agrupamento 283, foi aos Açores. Foram até ao Faial e ao Pico, subiram ao Piquinho — o ponto mais alto de Portugal, a 2351 metros — e voltaram com o coração maior do que quando partiram.

Tudo começou com uma ideia. Um empreendimento com um objetivo claro: subir ao topo de Portugal. Claro que um sonho desta dimensão traz desafios — físicos, logísticos e financeiros. Levar uma Comunidade inteira de avião até ao meio do Atlântico não é tarefa simples. Mas ao longo do ano escutista, a Comunidade foi construindo o caminho, angariação a angariação, treino a treino, reunião a reunião. E o que em tempos foi apenas uma ideia transformou-se numa aventura real.

A 7 de abril, de madrugada, a Comunidade partiu de Aveiro. No Faial, o Agrupamento 171 Angústias recebeu-os de braços abertos, na Casa Baden-Powell, na Horta. Foram dias de descoberta — o Centro Histórico, a Marina, a Escola do Mar, a Baía de Porto Pim, o Monte da Guia e o OKEANOS. O Atlântico estava ali, presente em tudo, a lembrar que tinham atravessado oceano para chegar até ali.

No dia 9, a travessia de ferry para o Pico. A ilha recebeu-os com a sua paisagem vulcânica e a sua identidade única. Visitaram o Centro Histórico da Madalena, o espólio de cachalotes e lulas, o Museu da Indústria Baleeira, as Furnas de Santo António e São Roque do Pico. Era o escutismo a ser vivido a fundo — a descobrir o mundo, a conhecer outras realidades, a crescer pelo caminho.

E chegou o dia 10 de abril. A Comunidade de S. Roque enfrentou o Pico. Houve cansaço, houve dúvida, houve passos que pesaram mais do que outros. Mas as guias e sub-guias foram incansáveis, a mobilizar as equipas e a dar o exemplo quando foi mais necessário. A equipa de animação caminhou ao lado de todos, unida, em plena sintonia, a apoiar-se mutuamente em cada momento difícil. Ninguém ficou para trás. O cume chegou — e com ele, a emoção de quem percebeu que tinha feito algo que nunca esquecerá.

Momentos assim lembram-nos do que o escutismo é, na sua essência: jovens que se superam, equipas que se unem, adultos que acreditam. E lembram-nos também que grandes empreendimentos estão ao alcance de qualquer Comunidade que decida sonhar com ambição e trabalhar com seriedade. Não é preciso ter tudo resolvido à partida — é preciso começar.

A Comunidade de S. Roque regressou dos Açores transformada. Cresceu como Pioneiros, cresceu como equipa, cresceu como pessoas. E ficou provado, uma vez mais, que o escutismo, quando vivido a fundo, leva os jovens mais longe do que alguma vez imaginaram. Até ao topo de Portugal.

Texto: Teresa Ravara

Fotografias: Agrupamento 283 – Vera-Cruz

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