
Portugal presente na All Groups Meeting (AGM) da Região Europeia
Entre as montanhas de Kandersteg e o espírito internacional que caracteriza o Escutismo,
A igreja do mosteiro de Ancede recebeu a fundação do Agrupamento 1416, da localidade de Ancede, no concelho de Baião, depois de um percurso iniciado em 2021 e marcado por um longo processo de preparação e transformações, até ao tão esperado hastear da bandeira.
O dia 19 de julho transformou-se numa data muito especial para o Corpo Nacional de Escutas, em particular para a Região do Porto e para o Núcleo Este.
Há pelo menos 25 anos que não existia um agrupamento entre as 14 freguesias do concelho de Baião, de acordo com o dirigente Miguel Ferraz, chefe do mais recente agrupamento do CNE, que já havia integrado a equipa de fundação de outro agrupamento: 1361 de São Martinho de Recesinhos.
A cerimónia oficializou um projeto que já conta com 17 lobitos, seis dirigentes e outros seis candidatos a dirigente em formação. Depois de um ano de trabalho com os jovens antes da oficialização, em setembro o novo agrupamento prepara-se para abrir a segunda secção e abraçar um novo caminho com os lenços verdes claros.
O início do caminho surge através de uma conversa entre Miguel e o Padre Francisco Pedrosa, pároco da vila, onde se lançou a semente para a futura fundação.
A distância dos restantes agrupamentos da Região do Porto e o desconhecimento do movimento na localidade, acabaram por se apresentar como desafios acentuados.
“ A grande dificuldade estava no facto das pessoas não saberem no que se iam meter. Precisávamos de pessoas sonhadoras, que não tivessem medo de se atirar de cabeça. A Alexandra, a Bia, a Patrícia, o João e o Padre Francisco acreditaram num projeto sem ter visto. E isso é muito difícil de encontrar”, destaca Miguel.
O caminho começou depois da pandemia, em 2021, mas não foi linear. Houve formações, estágios e diversas situações que obrigaram o projeto a avançar mais devagar. Ainda assim, a equipa manteve-se firme rumo ao objetivo comum.
“ Houve sempre alguém que não nos deixou desistir. Hoje segurava um, amanhã segurava outro, até ser possível darmos todos as mãos e agarramos de vez”, salientou o chefe de agrupamento.
A escolha de começar apenas com uma secção não foi por acaso. O objetivo era dar passos seguros e permitir que dirigentes e jovens se conhecessem, aprendessem e amadurecessem juntos. Aos dias de hoje, os 17 lobitos já conhecem a estrutura de uma Alcateia, sabem o que é um guia e começam a compreender aquilo que significa fazer parte de um movimento maior, ao contrário dos momentos iniciais, onde desconheciam quase tudo acerca do movimento escutista.
Também entre as famílias o Escutismo era, para muitos, uma realidade desconhecida. No caso da família Vieira, com 3 membros entre os fundadores do 1416, apenas o pai tinha tido contacto com o movimento enquanto escuteiro. Para os restantes, tudo era novo: desde a linguagem aos símbolos até à forma de organização e à própria vivência.
“Quando o senhor padre ligou ao meu marido e disse para nos levar para a reunião ele não pensou duas vezes, e nós seguimos nessa aventura. Não conhecíamos nada, nunca tínhamos participado em nada e não sabíamos, à exceção do meu marido, o que era verdadeiramente o escutismo”, destacou Alexandra Vieira, chefe de unidade da primeira secção.
O envolvimento da comunidade foi crescendo ao mesmo ritmo que o projeto. As perguntas começaram a surgir, primeiro por curiosidade, depois pelo interesse em perceber o que estava a acontecer e de que forma o Escutismo poderia fazer parte da vida daquela localidade.
“Até chegarem as fardas, era muito pouco real para as pessoas. Quando começaram a chegar as fardas, começou o burburinho. Estamos no momento em que as pessoas querem perceber e conhecer, fazem perguntas, e o feedback tem sido tremendo, seja dos meninos ou dos pais, e isso é o mais importante nisto tudo. A comunidade ainda está enamorada com o projeto. A parte difícil é manter o namoro durante mais anos”, resume Miguel.
Apesar de serem da mesma terra, muitos dos atuais dirigentes não tinham relações pessoais profundas entre si. Foi preciso aprender a trabalhar em conjunto, criar cumplicidades e, ao mesmo tempo, assimilar os princípios e o método escutista que também desconheciam por completo.
“ Para pessoas que estão a dar os primeiros passos, o escutismo tem muitos termos e muitas coisas que demoram tempo a assimilar. As primeiras formações que tivemos alimentaram mais a nossa curiosidade para continuar. Caímos de paraquedas, mas deu-nos mais sede para procurar mais conhecimento. Muitas vezes tiravamos notas de algumas coisas e escrevíamos que tínhamos de perguntar ao Miguel, e fomos lentamente aprendendo – destacou Beatriz Silva, uma das dirigentes investidas no dia da formação.
Para Patrícia Monteiro, também recentemente investida, o processo de aprendizagem foi igualmente intenso. “Foi um grande choque. Das formações que tivemos, só nós é que nunca tínhamos tido contacto com escuteiros anteriormente. Muitas palavras e informações diferentes e muito conhecimento ao mesmo tempo”, recorda.
Patrícia reconhece que a realidade que encontrou foi bastante diferente daquilo que imaginava. “Tinha ideia do que era o Escutismo, mas não tinha noção das coisas. Lembro-me de quando o Miguel me mandou mensagem. Fiquei logo mega contente. Foi um sim sem saber onde me ia meter, mas foi um sim com muita vontade”, recorda.
Durante anos, o Agrupamento 1416 foi sobretudo um sonho. No dia 19 de julho, deixou de o ser. A cerimónia contou com a presença de todos os elementos da Junta Central, incluindo o Chefe Nacional Bento Sousa Lopes, a Chefe Regional do Porto, Raquel Kritinas, a chefia do Núcleo Este e diversas entidades locais.
O novo agrupamento entra agora numa nova fase. “O projeto não está consolidado, está lançado”, avisa Miguel. O próximo desafio passa por consolidar o trabalho realizado na Alcateia e preparar a abertura da Expedição, prevista para setembro. Ao mesmo tempo, seis candidatos a dirigente continuam o seu percurso de formação.
Para os fundadores, o futuro passa por crescer de forma sustentável e manter a identidade que querem construir desde o início: um agrupamento disponível para servir a comunidade e ajudar os jovens a crescer.
Texto: Rodrigo Maurício
Fotografias: Agrupamento 1416 – Ancede

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