
Portugal presente na All Groups Meeting (AGM) da Região Europeia
Entre as montanhas de Kandersteg e o espírito internacional que caracteriza o Escutismo,
No dia 10 de outubro, o Auditório Maria de Jesus Barroso, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, recebeu o primeiro dia do Conselho Nacional de Representantes do Corpo Nacional de Escutas.
O fórum reuniu 175 conselheiros de todas as regiões do país e iniciou-se com a oração do Padre Daniel Nascimento. O Assistente Nacional do CNE pediu serenidade e discernimento para o decorrer do fim de semana e utilizou o Cântico das Criaturas, através das palavras de São Francisco de Assis, para relembrar os 800 anos da partida do patrono da I Secção para o eterno acampamento.
O sacerdote pediu também que consigamos olhar para a criação com um coração agradecido, “vendo tudo e todos como um dom”, e que possamos auxiliar os outros a crescer através da missão pedagógica.
O Chefe Regional de Lisboa, Carlos Pacheco, agradeceu à Junta de Núcleo da Barra e à Câmara Municipal de Cascais pelo auxílio nesta iniciativa e desejou um dia produtivo e enriquecedor.
Já o dirigente Pedro Santos, Chefe de Núcleo da Barra, destacou o enorme orgulho em receber escuteiros dos quatro cantos do país e desejou que estes se sintam verdadeiramente em casa.
Em representação da autarquia, o vereador Pedro Morais Soares agradeceu a escolha da vila de Cascais para a realização do Conselho Nacional e desejou um fim de semana profícuo, destacando a relação próxima entre o movimento e a Câmara Municipal.
No período anterior à ordem do dia, José Pamplona, vice-presidente do Comité Europeu do Escutismo, apresentou um enquadramento sobre a realidade do escutismo na região europeia, em articulação com a nova estratégia mundial do escutismo, discutida no Cairo, no Egito, durante a última Conferência Mundial.
De seguida, Rui António, Secretário Nacional Pedagógico, introduziu a partilha das conclusões da última edição do Encontro Nacional de Guias. Os representantes nacionais das várias secções apresentaram as propostas e inquietações resultantes do encontro, realizado no passado mês de maio, em Sesimbra, entre os representantes eleitos de todo o país, com ênfase especial na temática da saúde mental.
Foram também apresentados vários tópicos pela equipa da Junta Central, nomeadamente a aprovação, pela Organização Mundial do Movimento Escutista (WOSM), de um novo modelo de taxas de registo internacional, que permitirá uma redução progressiva da quota do CNE ao longo de cinco anos, a partir de 2026/2027.
Foi ainda apresentada a possibilidade de associar o cartão do CNE à aplicação gov.pt, uma funcionalidade já operacional, e foi revisitado o propósito do ADN – Dinâmica Nacional de Avaliação, com destaque para a participação dos dirigentes, atualmente de apenas 4% do universo associativo, e para a importância de alargar esta dinâmica de avaliação às regiões, núcleos, agrupamentos e unidades.
José Filipe Pinheiro, Chefe do Núcleo Cego do Maio – Região de Braga, apresentou também o projeto Além de Sonho, um livro que assinala os 100 anos do Núcleo e reúne a história dos seus 17 agrupamentos. A obra percorre o caminho do Núcleo desde a sua fundação, destacando as suas raízes, os seus fundadores e os momentos marcantes da sua evolução.
No período da ordem do dia, o Chefe Nacional, Bento Sousa Lopes, introduziu a apresentação do Plano Trienal através de um vídeo elucidativo.
Depois de um período de discussão e esclarecimento de dúvidas, a proposta foi aprovada por larga maioria.
No ponto seguinte, a Chefe Nacional Adjunta, Joana Vasconcelos, apresentou a proposta da insígnia trienal, que pretende congregar os três dos gestos transmitidos pelo Papa Francisco, que servem de mote para os três anos do mandato. A proposta foi igualmente aprovada por larga margem.
Seguiu-se a apresentação do Plano e Orçamento para 2026/2027. Depois de um período de discussão e esclarecimento de dúvidas, o documento foi igualmente aprovado por larga maioria.
Entre os temas abordados esteve também a proposta de alteração ao Regulamento de Distinções e Disciplina, que visou a criação da medalha «D. José de Lencastre», com o objetivo de reconhecer percursos de serviço contínuo marcados pela “duração, dedicação, disponibilidade e qualidade, distinguindo quem tenha contribuído para o desenvolvimento do movimento”.
A nova distinção homenageia o dirigente que liderou a associação durante 50 anos. A proposta foi igualmente aprovada.
Para encerrar os trabalhos do primeiro dia, iniciou-se a discussão da proposta de redução da quota nacional, na sequência da eliminação da derrama.
Os trabalhos continuam no dia 11 de outubro, o último dia deste Conselho Nacional de Representantes.
Texto: Rodrigo Maurício
Fotografias: Matilde Gonçalves

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