O Espaço 34 recebeu ontem uma sessão sobre a exortação pós-sinodal Papa Francisco, Amoris Laetitia, e a sua relação com o Escutismo.

O orador convidado foi Juan Ambrosio, dirigente do CNE e docente na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Na sua intervenção inicial, Juan Ambrosio destacou a importância desta iniciativa do CNE. «É importante que os documentos papais sejam bem rececionados, e este ainda não o foi, porque parece que há receio de falar sobre ele», disse perante a plateia de dirigentes que acompanhava a sessão na sala e através das redes sociais, via streaming.

O docente da UCP elogiou a «caminhada sinodal» de que este documento era o corolário. «A caminhada em conjunto é mais de acordo com a vontade de Deus, pois ficamos mais próximos de entender essa vontade se a procurarmos de forma sinodal», afirmou.
Juan Ambrosio afirma que seria interessante que o próprio sistema de progresso permitisse apresentar a vocação do matrimónio aos miúdos desde tenra idade, e que os dirigentes pudessem ser «exemplos de verdadeiro amor» nas suas famílias.

Quanto ao capítulo VIII da exortação, sobre as pessoas em situações ditas irregulares, Juan Ambrosio foi questionado sobre até que ponto é que essas pessoas poderiam ser convidadas para exercerem funções no CNE, feito o devido caminho de discernimento individual de que o Papa fala na exortação. «A chave é integrar, mesmo nos dirigentes que estejam situação dita irregular». Juan Ambrosio propõe a realização de um caminho de discernimento com vista a uma integração, mas avisa que a disponibilidade para caminhar tem de ser mútua. «Eu não posso querer um caminho de integração nas minhas condições. Tem de ser um caminho de integração na comunidade, que tem os seus requisitos e as suas condições, e as pessoas têm de entender isso», avisou.

Questionado sobre a validade do documento, Juan Ambrosio foi claro. «Sejamos claros: o texto é magistério. Este e o anterior, a Evangelii Gaudium, que é citado várias vezes. E mesmo as notas de rodapé são importantes, pois em qualquer trabalho as notas de rodapé servem para confirmar e aprofundar o que é dito no texto. Se eu tenho um bispo ou um cardeal que numa conferência vem dizer que as palavras do Papa não são para levar a sério, isso é que é uma opinião. O que o Papa diz nestes documentos é magistério», reforçou.

O orador considera que o papel do CNE pode ser fundamental nesta perceção de novos caminhos. «O CNE é um movimento da Igreja, e deve reger-se pelas regras que ela define, que atualmente são estas. Mas também porque é movimento da Igreja, e um grande movimento, tem a obrigação de chegar junto da Igreja e fazer caminho com ela, questionando-a sobre a possibilidade que se abre com este documento, percebendo se há ou não novas formas de fazer as coisas, e eu acho sinceramente que existem alternativas. Vivemos tempos históricos, de mudança epocal, e é importante que o CNE tenha uma palavra a dizer sobre isso», concluiu o orador.

A Flor de Lis online tem um ao teu dispor um dossier sobre esta temática onde podes encontrar toda a informação sobre exortação pós-sinodal do Papa Francisco, “Amoris Laetitia”

Texto de: Ricardo Perna. Fotografia de: Ana Isabel Silva.

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