A Câmara Municipal de Leiria identificou ações concretas de apoio local, lançando o repto a todos os voluntários para marcarem presença, logo pela manhã no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria.
Entre as várias centenas de voluntários, os escuteiros marcaram presença, orientados pela delegação regional da Proteção Civil para que os trabalhos desenvolvidos estejam em consonância com as necessidades e desta forma serem uma mais valia.
Gonçalo Lopes, Presidente da Câmara de Leiria esteve no local a aos jornalistas reafirmou que “precisamos de um grau de prontidão que se mantém elevado durante os próximos dias. Leiria tem também um rio que tem sido disciplinado dentro das suas margens e que já galgou as margens”. O autarca reforçou ainda que “se houve um primeiro momento em que não houve a noção da dimensão do problema”, agora está mais que identificada a calamidade que a região enfrenta. Neste âmbito, Gonçalo Lopes apelou à população de Leiria que se mantenha unida para reerguer o concelho, assegurando que “não há aqui leirienses de primeira nem de segunda” e reforçando que tem de existir espírito de entreajuda na comunidade”.
O recinto exterior do Estádio de Leiria foi um dos pontos de partida para algumas das artérias da cidade. Divididos em vários grupos e após todas as indicações e advertências necessárias muitos escuteiros integraram as várias equipas e colocaram mãos à obra.
O sentido era comum entre todos, tinham de vir ajudar, não era possível ficar sem fazer nada. Por toda a cidade sente-se a azáfama e a disponibilidade para trazer à cidade a normalidade possível nesta fase.
O Chefe Regional de Leiria, Pedro Nogueira, acompanhou todos os trabalhos e partilhou que o pedido feito localmente foi que atuassem primeiro no apoio às suas famílias e casas e depois junto das suas freguesias e comunidades “existem muitos telhados no chão, ferros dobrados, vias obstruídas, por isso é preciso garantir esta ajuda e ainda dar apoio às outras pessoas que neste momento estão sem nada e precisam de apoio”.
Visivelmente emocionado Pedro Nogueira agradeceu ainda a todas as regiões e chefes regionais de norte a sul do país que se deslocaram a Leiria para dar apoio e estarem presentes nesta altura.
Neste tipo de cenário que se está a viver é fundamental que toda a ajuda seja coordenada e feita de forma responsável e segura. Em conversa com Edgar Santos, delegado regional de Proteção Civil de Leiria ficámos a saber como estão organizados e ainda quem quiser ajudar como deve fazer “desenvolvemos um formulário para as pessoas indicarem que pretendem ajudar e assim podemos distribuir as pessoas de acordo com as necessidades”.
Este trabalho esta a ser concertado com a Câmara Municipal de Leiria e Proteção Civil para dar resposta à ajuda necessária, como a distribuição de alimentos, apoio a descarregar materiais e alimentos, limpezas de áreas.
Conforme indicámos foram muitas as regiões que prontamente disponibilizaram-se a ajudar e apresentaram-se ao serviço. O delegado de Proteção Civil de Lisboa, Nuno Moreira, dá o exemplo da sua região “Assim que saiu a informação, a região começou imediatamente a organizar-se, quando chegaram ao local foram destacados para ajudar junto das populações, entrega de alimentos e limpezas”.
A equipa da Junta Central compareceu em Leiria e junto do Chefe Regional e das equipas de Proteção Civil do local inteiram-se das necessidades e trabalhos desenvolvidos. Ivo Faria, Chefe Nacional do CNE salientou a necessidade de existir um esforço de coordenação e concertação para que corra tudo pelo melhor. Reforçou ainda que “os nossos voluntários têm sempre uma imensa vontade de ajudar, mas queremos reforçar a importância e cuidado com as regras de segurança. Temos escuteiros, as suas famílias, sedes de agrupamentos, campos escutistas a necessitar de ajuda, mas tem de ser feito tudo em segurança”.
“Somos uma peça num conjunto mais vasto, dentro de um mecanismo que tem forças de autoridade, como a própria Proteção Civil Nacional, nos municípios, nas juntas de freguesia, onde existem voluntários que estão a ajudar, e o CNE é um desses voluntários, é uma dessas forças no terreno, e o nosso papel principal é dar apoio de suporte. “explicou Ivo Faria.
Os próximos dias serão intensos de trabalho e de apoio, os delegados regionais de Proteção Civil estão a receber todas as informações necessárias para que possam-se organizar e disponibilizar as melhores formas como todos podemos ajudar. Toda a ajuda é bem-vinda e preciosa, mas deve ser prestada de forma articulada, para garantir a segurança de todos e a eficácia das ações no terreno.
Reforçamos que a Junta Regional de Leiria-Fátima pede para não se deslocar ao local sem contacto prévio, de forma a evitar constrangimentos adicionais e riscos desnecessários. Para isso foi disponibilizado um formulário onde pode demonstrar o seu interesse em ajudar.
O Governo prolongou o estado de calamidade, desta vez até 8 de fevereiro e implementou ainda medidas de apoio direto às populações e empresas.