Flor de Lis: Dom Ivo, como representante da Santa Sé em Portugal qual é a sua opinião sobre o papel do Escutismo em Portugal?
Dom Ivo Scapolo (DIS): Primeiramente, muito obrigado pelo convite de visitar esta experiência tão importante para os Escutas de Portugal, aceitei com muito prazer este convite porque sei, também como representante do Santo Padre, o quanto é importante o papel e o serviço que a experiência dos Escutas têm em Portugal, na vida sociedade e sobretudo na vida da Igreja. Em tempos como os nossos, nos quais sabemos que às vezes se criam barreiras, muros, que o Papa muitas vezes denuncia, denunciando a indiferença que muitas vezes há no mundo. É muito importante propor às novas gerações sobretudo uma experiência como os Escuteiros, em que são chamados a viver a experiência do diálogo, do encontro, do respeito do outro, sobretudo como diz também o Papa, em sua mensagem enviada para esta ocasião, encontrar a maneira para fazer felizes as outras pessoas. Muitas vezes sabemos que o mundo de hoje é caracterizado pelo individualismo, onde cada um procura o seu interesse, o seu prazer, o que gosta mais, há uma acentuação muitas vezes exagerada dos direitos da pessoa, pondo-se em segundo lugar. Pelo contrário, a preocupação de como pôr-se ao serviço dos outros, e os escuteiros são uma experiência, uma escola, então de serviço, de disciplina, de sacrifício, de entrega, de busca do bem comum, por esse motivo a experiência do Escutismo merece todo o apoio da parte da Igreja mas também das autoridades civis de um país como Portugal.
Flor de Lis: O Corpo Nacional de Escutas iniciou a comemoração do seu centenário, na visão do Santo Padre o CNE tem um papel importante na sociedade?
DIS: Como disse, sim tem um papel muito importante, e o Papa mesmo na sua mensagem evidenciou como é importante este papel, todo este serviço, sobretudo de educar as novas gerações para este espírito de pacífica convivência de respeito do outro, da busca do bem da outra pessoa. Depois sabemos também que como cristãos, como testemunhas de Cristo, embaixadores de Cristo, somos chamados a conhecer sempre mais o Senhor Jesus. Aqui ao lado, o lugar de onde se faz também a adoração eucarística, para ajudar os jovens a encontrarem-se com o Senhor, e depois deste encontro com o Senhor, como foi a experiência dos apóstolos, irem por todo o mundo onde o Senhor os envia para viverem, trabalharem, servirem para serem embaixadores de Jesus Cristo.
Flor de Lis: Em relação a esta atividade que está a visitar, o acampamento nacional, qual é a sua opinião?
DIS: É a primeira vez que tenho a ocasião de visitar um acampamento nacional, é uma experiência muito interessante, porque há aqui uma grande organização, grande participação, muito entusiasmo, fico admirado por tudo o que de lindo se está a realizar nestes dias! Faço votos que esta experiência possa crescer sempre mais aqui em Portugal e que possa ser repetida em outros países da Europa, e no mundo. Esta experiência ajuda os jovens a crescerem como cidadãos e também, como disse, sobretudo como cristãos.
Flor de Lis: Que mensagem gostaria de deixar aos 18.500 escuteiros que estão agora em campo?
DIS: Sejam fiéis ao compromisso, aos valores desta experiência, e de maneira especial sabendo que falta só um ano para as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que todos estes 18 mil e muitos mais possam participar nas JMJ na primeira semana de Agosto do ano próximo.
Flor de Lis: Aliás o CNE está envolvido na preparação das JMJ, acha que podemos dar um contributo positivo à dinamização das Jornadas?
DIS: Sei que os organizadores das JMJ estão em conversações com os responsáveis dos escuteiros para colaborarem na organização, no voluntariado. Penso também que mesmo como Escuteiros cada um poderia tomar o compromisso de convencer alguns dos seus amigos para que também com eles possam participar nas JMJ, não somente como Escuteiros, mas como pessoas. Que cada Escuteiro possa levar três ou quatro amigos.