
CNE presente em encontro de Assistentes e Animadores Espirituais da CICE
Decorreu entre 9 e 12 de março um encontro de Assistentes e Animadores Espirituais na Eslováquia promovido pela região europeia da CICE e CICG.
Não é só de diretores, linhas editoriais e artigos que se faz uma revista – especialmente esta. Viaja connosco por três simples histórias de escuteiros imortalizadas na Flor de Lis!
Um verdadeiro arquivo vivo da nossa História enquanto associação, são milhares os rostos de escuteiros que se imortalizaram na Flor de Lis, e talvez centenas aqueles que nas nossas páginas deixaram as suas palavras. Quantos de nós já se apanharam a folhear a revista e, com mais ou menos surpresa, encontraram a cara familiar de um amigo ou mesmo de nós próprios?
Ora, a colaboração de todos é, desde sempre, basilar na produção da Flor de Lis. Escrevia-se em editorial no número de fevereiro de 1926, a celebrar o primeiro aniversário da nossa publicação, que «Outra maneira de ajudar o jornalsinho a viver bem, é colaborar nêle. Têmos na nossa associação muitos elementos que sabem manejar admirávelmente a pêna. Não sei porque não hão-de enviar-nos de vês em quando qualquér trabalho que nós gostósamente publicaremos. Tornáva-se assim mais variáda a colaboração e portanto mais interessante o jornal.» Sugeria-se, também, alguns temas e conteúdos a partilhar com a redação, que podiam «variar até ao infinito désde as questões de caracter técnico, histórico e moral até às novelas e contos scouts, as correspondências etc.»
Um espaço de todos e para todos os nossos associados, é talvez nas colaborações espontâneas, testemunhos pontuais e simples partilhas que encontramos nas nossas páginas os mais profundos exemplos do que é ser escuteiro do CNE.
Quase ofuscado pela notícia da primeira visita de Baden-Powell a Portugal, o número de 15 de março de 1929 traz um divertido relato intitulado “Entrevista com três lobitos”. Pintemos o cenário: findas as comemorações em Lisboa pela visita a Portugal do fundador do Escutismo, «o comissário sr. Dr. Joaquim Francisco da Silva, no meio daquele reboliço andava num rodopio pegado, solicitamente empenhado em arranjar dormida para os scouts do norte que perderam o comboio.» O testemunho em primeira pessoa do Dirigente Gavião Branco – pseudónimo – conta a história dos três lobitos de Coimbra que lhe “apareceram em casa” para pernoitar: o Manuel, o António e o Gilberto. Conversaram animadamente sobre a visita a Lisboa, sobre os animais que encontraram no Jardim Zoológico, e Gilberto acrescentou que «também lá estava um irmão lobo que arrebitou as orelhas quando me viu…». Respondeu-lhe Gavião: «Provavelmente conheceu-te, como eras lobito, julgou-te da mesma família…», ao que Gilberto ripostou dizendo «Não, não… Ele o que queria era papar-me…» No dia seguinte, com os três Lobitos já entregues ao seu grupo, Gavião relata: «Saudámo-nos mais uma vês em três apertos de mão esquerda. O comboio marchava vagarosamente, despedindo a locomotiva bafuradas de fumo. Continuei a saudá-los até que na bôca do tunél desapareceram. Uma lagrima de saudade me deslisou então no rosto ao mesmo tempo que pensava, quanto foi bela a convivencia com os três pequeninos. Simplicidade, inocencia, familiaridade.»
Publicada originalmente no Jornal de Notícias, a Flor de Lis de junho de 1968 traz a notícia de um jovem escuteiro que procedeu a um heroico salvamento aquático. Lê-se, na contracapa deste número, que «lá morreriam pai e filhos se não surgisse oportunamente o António de Freitas Fernandes, de 20 anos, ali residente também — o escuteiro — que se lançou decididamente à água e, auxiliado por outras pessoas que lhe estenderam os seus braços, pôde pôr em terreno firme os dois pequenitos e o pai.» É dito, também, que no Escutismo «terá encontrado os ensinamentos e a formação do seu espírito para saber ser útil ao semelhante e valer-lhe em todas as circunstâncias, ainda que jogue a própria vida.»
Em novembro de 1975, é publicado um conteúdo inusitado e certamente inédito na revista – uma carta endereçada ao Depósito de Material e Fardamento. Na parte superior da página 13, escrito à mão em nota da redação, lê-se: «PELA ORIGINALIDADE DA IDEIA PUBLICAMOS – UMA VEZ SEM EXEMPLO – ESTA INTERESSANTE CARTA DE UM ESCUTA». O remetente apresenta-se como Paulo José Antunes Jorge, do Agr. 36 Marinha Grande, e dirige-se aos «Escelentísemos amigos» do DMF para perguntar como pode adquirir «um livro cujo nome é “jogos para exploradores”» e «uma flor-de-liz que se cola em livros». A carta traz também a fotografia do jovem Paulo, que escreve em post scriptum «Mando vos esta fotografia para vos poder-des ver a minha cara». Podemos apenas esperar que a originalidade do Paulo lhe tenha valido, além da publicação na Flor de Lis, os artigos do DMF que tanto desejava.
Os Lobitos Manuel, António e Gilberto, o Caminheiro António e o Explorador Paulo nada fizeram para ter os seus nomes aqui mencionados, décadas após as suas simples ações lhes terem garantido um lugar nas nossas páginas. Os três pequenos, com a energia entusiástica e encantadora inocência que atravessa gerações de Lobitos, apenas trouxeram uma alegria inesperada ao quotidiano de um Dirigente. O António de 20 anos não pensou duas vezes em ajudar quem viu em perigo, tampouco esperou algo em troca. O jovem Paulo não queria mais do que adquirir um livro e uma flor de lis decorativa do DMF, e fez-se valer dos meios que tinha ao seu dispôr para tal. Mas, tal como aqueles que lhes precederam e tantos outros que lhes sucederão, fazem parte deste arquivo vivo que é a Flor de Lis.
Além dos diretores, das várias equipas de redação, das linhas editoriais, grandes reportagens e toda a tinta que correu por estas páginas centenárias, o complexo tecido que compõe tudo o que é a Flor de Lis é também fiado por ti, que lês o que escrevemos, e por ti, que colaboras connosco.
São milhares os escuteiros imortalizados na nossa revista em Histórias do passado. Contamos contigo para fazeres parte das nossas Histórias do futuro! Se queres ver as notícias do teu agrupamento na Flor de Lis, envia-nos a reportagem e fotografias das tuas atividades para o e-mail geral@flordelis.pt. Contamos com a tua colaboração para dar continuidade a este autêntico arquivo vivo do CNE! |
Texto: Catarina Valada.
Fotos: CNE, Arquivo Flor de Lis.
Decorreu entre 9 e 12 de março um encontro de Assistentes e Animadores Espirituais na Eslováquia promovido pela região europeia da CICE e CICG.
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